Impacto da Inteligência Artificial nas Crianças
Um em cada dez brasileiros conhece uma criança ou adolescente que teve uma imagem falsa e constrangedora gerada por inteligência artificial, aponta uma pesquisa recente realizada pelo Infinis em parceria com a Quaest. O estudo, divulgado nesta quarta-feira, é um alerta sobre as crescentes violações da privacidade infantil no ambiente digital.
De acordo com o levantamento, 89% da população acredita que crianças e adolescentes estão extremamente vulneráveis a crimes e violências na internet, sendo que no Sudeste esse índice sobe para 92%. Para Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, esses dados refletem a preocupação crescente com a segurança digital nas famílias brasileiras.
A evolução da violência digital
A pesquisa revelou que o problema vai além das imagens criadas por IA. Na amostra, 33% dos entrevistados conhecem crianças ou adolescentes que já sofreram humilhações ou bullying online. Além disso, 25% indicaram conhecer menores que receberam mensagens de conteúdo sexual e 20% relataram casos de convites para encontros com estranhos.
Outro dado alarmante é que 18% afirmaram conhecer crianças que tiveram seus dados pessoais expostos para fins de intimidação ou perseguição. Nesse contexto, a inteligência artificial se torna mais uma ferramenta nas mãos de hackers, aumentando os riscos.
Saúde Mental e Segurança Digital
Muitas vezes, a erosão da segurança digital está atrelada a questões de saúde pública. Kalvon enfatizou que a violência digital afeta não apenas a segurança, mas também o desenvolvimento psicológico das crianças e adolescentes. Proteger menores no ambiente digital é essencial para promover saúde mental positiva.
A diretora também destacou que a responsabilidade pela segurança digital não pode ser apenas das famílias. É fundamental que haja uma articulação envolvendo escolas, plataformas digitais, serviços de saúde e governo para enfrentar esse desafio global.
O papel dos pais e educadores
O estudo revelou que 96% dos brasileiros acreditam que os pais devem supervisionar o que as crianças e adolescentes consomem online. Entretanto, na prática, esta vigilância tende a diminuir conforme a idade: 94% de supervisão em crianças de 0 a 5 anos cai para 68% entre adolescentes de 15 a 17 anos.
Márcia alerta que não se pode proteger os jovens apenas restringindo o acesso à internet. É crucial discutir os riscos envolvidos e como utilizá-la de maneira segura, trabalhando em parceria com educadores e cuidadores.
Avanços nas regulamentações de proteção
A discussão sobre proteção de crianças no ambiente digital acontece em um momento de avanço legislativo, com iniciativas como o ECA Digital e o Marco da Inteligência Artificial, que visam criar mecanismos eficazes para assegurar a segurança online dos menores.
Kalvon pediu que as normas se convertam em ações práticas de proteção e que todos os setores da sociedade se unam para construir um ambiente digital mais seguro e saudável.
Sobre a pesquisa
A pesquisa, intitulada ‘Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil’, entrevistou 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais, em 128 municípios, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%, os resultados enfatizam a urgência de medidas efetivas contra a violência digital.